domingo, 28 de dezembro de 2014

O recluso nº 44



“Portugal produz dois géneros de homens com uma perfeição admirável: maus políticos e péssimos governantes” (Confidências de um português indignadíssimo).
Este apotegma vem corroborar cabalmente a índole – até porque primou por ambos – do biltre que a transtornada e nem sempre honesta justiça portuguesa decidiu encarcerar preventivamente na ala feminina do Estabelecimento Prisional de Évora, onde lhe foi atribuído o número 44. Foi um mau político visto que desde a sua chegada à ribalta política foi sempre um sujeito medíocre, um arrivista, um autoritário, um narcisista, um convencido, um salafrário que tratou sempre mal os seus adversários e a maior parte dos jornalistas. Foi um péssimo governante porque, ademais de manter invariável aquela conduta, teve por diversas vezes o seu nome envolvido em vários processos judiciais. Porém, mais grave, muito mais grave, foi o que fez com Portugal e os portugueses: deixou-os na penúria, atirou o país para a ponta da cauda da Europa e atolou-os em dívidas à banca estrangeira até, pelo menos, ao ano 2050. “If you want to test a man´s character, give him power.” Tirada de um grande político, de um notável governante, Abraham Lincoln, que considero assaz oportuna.
O recluso nº 44, nos mais de seis anos em que governou o país, declarava às Finanças um rendimento mensal de 5 mil euros, mas tinha o nome gravado na montra da House of Bijan, a loja “que veste os mais ricos”, segundo o jornal USA Today, a loja onde o “prime minister of Portugal” comprava amiúde fatos no valor de 35 mil euros. Além de colecionar fatos caríssimos, o recluso nº 44, nos mais de seis anos que governou o país, coleccionou igualmente trapaças. Recordemo-las.
Iniciado em 2004, o Caso Freeport arrastou-se até 2012, sem resultados. O recluso nº 44, que nunca chegou a ser constituído arguido, foi um das figuras centrais sobre o licenciamento do centro comercial Freeport.  
Em 2007, durante o seu primeiro governo, o recluso nº 44 viu de novo o seu nome envolvido em outra polémica, desta feita a conclusão da sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente, em 1996. O processo, em que constavam documentos por assinar e carimbar, contradições nas notas, datas confusas, professores repetidos, redundou esperavelmente em nada.
Seguiu-se o caso Taguspark. Em causa esteve o pagamento de 750 mil euros ao ex-jogador Luís Figo para o apoio deste à campanha eleitoral do recluso nº44 nas legislativas de 2009, uma jogada que deu os seus frutos.
Em 2010 soube-se que o recluso nº 44 fora o projectista e o responsável de 26 obras na Guarda entre 1987 e o final de 1990, numa altura em que era deputado do PS. Os projectos foram realizados a “pedido de amigos” e não auferiu qualquer remuneração, explicou na altura o então primeiro-ministro.
No caso Face Oculta, em que um certo ex-ministro socialista e ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos e do Millenium BCP foi condenado a um lustro por tráfico de influência, o nome do recluso nº 44 também surgiu. Uma vez mais, como não poderia deixar de ser, safou-se.
Depois de sair do governo e do partido, o recluso nº 44, para vingar a humilhação da Uviversidade Independente, decidiu ir estudar para a capital francesa, com o objectivo de fazer um mestrado no Institut d'Études Politiques de Paris. Enquanto por lá andou, o recluso nº 44 viveu num apartamento de 225 metros quadrados de um luxuoso prédio em pedra de talha, uma propriedade imobiliária de 2, 25 milhões de euros situada no “seizième”, o bairro mais caro da cidade-luz, um luxo, achava ele, que lhe cabia. O recluso nº 44 levava uma vida opulenta, a gastar cerca de 15 mil euros por mês, isto sem ter poupanças ou emprego conhecidos — a não ser a “fortuna pessoal que vem da mãe”. O recluso nº 44 frequentava alguns dos restaurantes mais finos, onde as refeições ultrapassam os cem euros. Vivia ainda com o filho mais velho, estudante num colégio privado que custava 2186 euros por mês.
Acresce a este fausto a opípara quantia – 20 milhões de euros – que tem depositada no banco suíço UBS.  Balzac escreveu uma vez que “todas as fortunas assentam num crime." A fortuna do recluso nº 44 assenta em múltiplos: corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, entre outros.
Além destes factos, a curiosidade, bem reveladora da sua personalidade, de, alegadamente, segundo o jornal Sol, de 22-11-2014, ter comprado trinta mil exemplares do seu livro A confiança no mundo, de forma a fazer subir o livro no ranking de vendas nacional. 
Poucos dias depois, quando questionado pelos jornalistas sobre se acreditava na inocência do recluso nº 44, o antigo Presidente da República e fundador do PS respondeu “com certeza". Eu com certeza que também não acredito na sua inocência.



dinismoura


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Portugal, famigerado e apetrechado paraíso de uns quantos cleptocratas, transformou-se numa máquina de lavar dinheiro, principalmente do dinheiro que ao longo destes últimos anos vem sendo extorquido ao povo angolano. A puta da máquina, um engenho concebido por um consórcio luso-angolano de canalhas liderado pela esmifradora Isabel dos Santos, é admiravelmente eficiente, é automanutenível, tem uma extraordinária multitude de programas e vem acompanhada de um certificado de qualidade emitido pelos nossos governantes. Dentre os vários senãos do aparelho, porventura defeito de fabrico, destaco a ausência do botão que permite desligá-lo. O povo português – ininterruptamente desligado (alguém sabe onde fica o botão para ligá-lo?) – não liga. Não vale a pena ligarem para Deus. Ele não vai atender.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Muro de Berlim caiu fez ontem 25 anos. Entretanto outros muros, menos físicos mas mais divisórios, se levantaram.  - Derrube estes muros, Sra. Merkel.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Uns em modo futebol, outros em modo Casa dos Segredos; uns em modo “deixa andar”, outros em modo “que se foda”; uns em modo “nem me aquece nem me arrefece”, outros em modo “esquece isso”; uns em modo Tony Carreira, outros em modo “se me saísse o euromilhões”. Ai, Portugal, Portugal, assim não vais lá, não.
Portugal, uma moçoila alemã estava ontem a dizer lá na tasca que tu tens demasiados licenciados. Entretanto acabei de saber que a empresa onde trabalha o meu tio vai licenciar mais de oitenta trabalhadores. Vai tudo para o olho da rua. Vistas bem as coisas, talvez a moçoila loirita até tenha razão.
Passei estes quatro últimos anos a viver em Portugal. Sobrevivi. Dedico esta extraordinária vitória à família Espírito Santo, que patrocinou esta aventura, a mais frutuosa da minha vida. A experiência foi tão rica e enriquecedora, um inestimável período de existência terrena, que estou decidido a repeti-la.
O Valter Hugo Mãe é o Luís Peixoto da literatura portuguesa. Isto dava um “livro preto” do Gonçalo M. Tavares.
Portugal às vezes só me faz lembrar uma prima que tenho na Suíça. Desde que emigrou para este país, e já lá vão quase cinco anos, só veio a Portugal uma única vez. Foi há dois anos, aquando do falecimento da nossa avó

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Portugal, um país censurial




Fui clarissimamente vítima de CENSURA. A poucos dias do lançamento do meu livro "Confidências de um português indignadíssimo" o Instituto Camões anulou à última hora o respectivo evento. Há muito que tinha sido agendado para o dia 20 de Outubro nas instalações do Instituto Camões - Centro Cultural Português no Luxemburgo. A medida tomada por esta instituição pública é absurda, retrógrada e inconcebível. Vi-me forçado a ter de procurar outro local para esse efeito.
Qual, então, o motivo da anulação? Dois dias depois da data agendada, hélas, o cabecilha, -- o pontifex maximus do regime pseudodemocrático vigente em Portugal -- o primeiro-ministro Passos Coelho, virá em visita oficial a este País [Luxemburgo]. A lógica pode parecer paradoxal. Mas não! Porque o motivo da indignação descrita no livro teria direito ao seu contraditório. Quando, porém, a interpretação da lógica do acaso da vida fica entregue a "funcionários", o disparate espreita. As subtilezas do aparelho repressivo são deslumbrantes. Fazem explodir em mim um profundo e irreprimível sentimento de revolta. E ao mesmo tempo, não deixa de ser compreensível o mesmo modo de funcionar que está a ser denunciado. Mas a injustiça como o amor não podem ser calados.
O meu livro é um sincero retrato do Portugal actual. É uma legítima denúncia da desastrosa política do governo que, vai para quatro anos, nos saiu em rifa à nossa democracia. Mas este livro é, antes de mais, e acima de tudo, uma obra literária e escrita na língua de Camões.
Ora parece ser um dado adquirido que é dever do IC -- está escarrapachado na Constituição-- promover a língua e a cultura portuguesas, bem como zelar, o mais convenientemente possível, pela política cultural externa de Portugal. Independentemente de cores partidárias, ideologias e credos, aqueles que se propõem promover a língua e cultura portuguesas têm de ser apoiados incondicionalmente.
Uma pergunta pertinente impõe-se: passado já o bonançoso pórtico do século XXI, a décadas do Salazarismo, a milhentas milhas de Portugal, no âmago da União Europeia - e não falo apenas geograficamente -, como é possível ocorrer uma situação desta natureza?
A resposta parece ser: a acção do braço tentacular da censura.
Não o sabia assim tão comprido - chega ao Luxemburgo! -; e ignorava de todo a sua agilidade, desempenho e eficácia.
Isto vem confirmar aquilo que há muito aprendemos nas aulas de História:
que as ditaduras têm medo da literatura,
que as nossas instituições públicas padecem de uma irreversível subserviência face à ditadura que impera no nosso país. E ai daquela que não se ajoelhe diante de suas santidades.
É inadmissível!
Que desilusão com tudo isto. "Desilusão" é uma palavra que não foi afectada pela crise. E a minha desilusão é total.
Infelizmente, a censura fez quase sempre parte integrante da nossa História. Imperou em muitos dos períodos da nossa vida colectiva. Constituiu uma arma de defesa dos aparelhos da Igreja e do Estado. A censura desfez muitos textos, escritores e jornalistas. Pelos vistos a razia continua, embora mais dissimuladamente. Talvez aqui se encontre a explicação por que nos separam da Europa distâncias impossíveis de encurtar.
A verdadeira liberdade só nos é dada ver à distância!
Durante a ditadura do Estado Novo, a censura esteve sempre muito activa em relação à literatura: suprimia, alterava, cortava palavras, expressões ou parágrafos inteiros, adiava ou impedia a saída de textos e livros. Hoje, impossibilitada de quejandas restrições, a ditadura do actual governo consegue, mesmo assim, anular lançamentos de livros em instituições públicas, consegue calar jornais, jornalistas, escritores, poetas, leitores e cabeças pensantes.
Veja-se o que fizeram recentemente ao Baptista Bastos. Calaram-no. Puseram-lhe um ponto final, neste País onde ninguém consegue pôr ponto final a esta conjuntura negra, deletéria. Nem consegue pôr fim a este bando de pulhastros.
Com tudo isto, aprendi uma grande lição: Portugal, mais que irreal ou surreal, é um país "censurial"!
Também a mim pretendem calar-me. Mas a minha voz é insuceptível de ser calada - e o meu livro será lançado no dia 20 deste mês.
Entretanto, a tarefa, não isenta de óbices, de encontrar um local para o lançamento do meu livro obteve sucesso.
Por conseguinte, e visto que não vou ceder a repressões, mantenho firme a intenção de lançar o meu livro no dia 20 deste mês.


A sessão terá lugar na Brasserie Curé, 3, Rue du Curé, na cidade do Luxemburgo, às 18h30, e contará com a apresentação de Belmiro Nariño e João Verdades dos Santos.
Faltam 5 dias para o ébola chegar ao Luxemburgo. A comunidade portuguesa aqui residente está aterrorizada. Por falar em vírus letais e portugueses, não se esqueçam de que o lançamento do meu livro vai ter lugar na capital luxemburguesa no dia 20. Apareçam, até pode ser que consigamos criar um antídoto.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Lançamento do "Confidências de um português indignadíssimo"


A sessão de lançamento do meu livro decorrerá no Centro Cultural Português no Luxemburgo - Instituto Camões, no dia 20 de Outubro (segunda-feira), pelas 18:30. 





A obra será apresentada por Belmiro Narino e  João Verdades C Santos.
Em colaboração com a Chiado Editora e o Instituto Camões.

"Confidências de um português indignadíssimo"

Quem quiser adquirir o meu livro, já o pode fazer. Podem encomendá-lo online na Bertrand e na WOOK, ou então comprá-lo nas cadeias: Fnac, Bertrand, book.it e El Corte Inglés (Portugal) / Fnac, livraria cultura e Saraiva (Brasil). 
P.V.P 13 euros

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

"Este ano prevejo um inverno friíssimo lá para os lados da Europa ocidental." - Vladimir Putin

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Buracos



Buracos negros no universo, um buraco na camada de ozono, buracos na Sibéria, buracos nas estradas, buracos nos queijos, buracos nas agulhas, um buraco no bolso das calças, e agora o BES(ta) com um buraco de 3555 milhões. Isto anda tudo esburacado. Tenho vontade de enfiar-me num buraco. Entretanto, coincidência ou não, começou agora mesmo a tocar na rádio uma música dos Buraka Som Sistema. Bem, pensando melhor, em vez de emburacar-me, vou antes abrir uma loja de betumes.
3 577 300 000 - The Number of the BEaSt

Tomates



senhores governantes
recapitalizem-mos 

para bom banqueiro
meia quadra basta


bestas
bostas


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dinismoura

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

terça-feira, 29 de julho de 2014

Casa portuguesa


(Falta uma citação de um Salazar qualquer)

Quatro paredes bolorentas, um cheirete a desgosto
Um cacho de uvas mirradas, duas rosas artificiais num vaso torto
Uma Santa Crise de plástico, mais um governo que só faz merda
Um cabo das tormentas, um calvário à minha espera
É uma casa portuguesa, mas não tenho a certeza

Não tenho a certeza, mas creio que é uma casa portuguesa

terça-feira, 22 de julho de 2014

Todos os engenheiros, donas de casa, 
economistas, padres, coveiros
taxistas, livreiros, prostitutas,
e até mesmo os filósofos – coisa rara –,
estavam de acordo:
não tarda nada e isto vai tudo ao chão.

Catrapumba – O estrondo foi silencioso, 
mas ouviu-se em todo o mundo.
Os entendidos tinham razão.

Isto na época devia ser realmente uma maravilha –
confessou deslumbrada uma turista.

Entretanto, vadio, passa um cão, levanta a pata
e urina respeitosamente na ruína.

Um outro turista,
um jovem de feições orientais,
enfia as lembranças num saco
e atenta no postal:
três fotos panorâmicas;
no rodapé, sobre um fundo branco,
vermelha e graúda,
a respectiva legenda:
Portugal.

dinismoura

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ouvida há pouco, num velório: "é incrível: tu sais de Portugal e num instante parece que estás logo noutro país."

terça-feira, 17 de junho de 2014

Explicação leibniziana do resultado do confronto Alemanha vs Portugal:


Mannschaft+xn+yn+ Merkel + (Schumacher x 4 - 9x²) = 4
Troco a minha camisola do Benfica (autografada pela equipa de 2013/2014) e a minha colecção de berlindes (mais de dois mil) por um exemplar do mais recente livro do Herberto Helder.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Pequena história de desencantar



Era uma vez…. 
– Um rei! – dirão de imediato 
os meus pequenos leitores.
Não, crianças, 
estão completamente erradas.
Era uma vez 
um país chamado Portugal.

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dinismoura 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

“Muitos de vocês vão certamente morrer, mas eu estou disposto a fazer esse sacrifício”. 

Pedro Passos Coelho, in Shrek

terça-feira, 8 de abril de 2014

O destino tem o pertinaz e malvado hábito de trocar-nos as vogais da palavra fado. Quando isso acontece, o resultado é aquele que pode ler-se, porém, o mais pungente, desconcertante, é que este fenómeno, esta palavra intrometediça, repercute-se de imediato na nossa vida prática, no nosso dia-a-dia, com a inevitável agravante de gangrenar a carne e descalcificar os ossos da nossa existência, procedimento que executa com uma mestria admirável e inexcedível. Isto é uma grande f… Sim, é exactamente isso que estão a pensar. 

terça-feira, 4 de março de 2014


"Hoje, logo pela manhã, mandei uma colossal cabeçada na extremidade de um armário. Vi estrelas, planetas, cometas, asteróides, satélites. Vi galáxias que nem os mais apurados telescópios da ciência conseguem descortinar. Comovi-me. Algumas lágrimas afloraram aos meus deslumbrados olhos. A astronomia é comovente. Entretanto, surgiu-me uma imensa protuberância nucal de tons vividamente carmins. Preciso de uma quantidade antárctica de gelo. De repente fiquei com frio". 

Valter Hugo Mãe, in  A Máquina de fazer islandeses
Alguém sabe uma boa receita de madalenas? Já tentei dezenas delas, mas, além do tempo perdido, todas as madalenas ficaram longe (e a que distância!) das que a minha tia confeccionava. (Marcel Proust, no Twitter)


- Mas eu não quero coabitar com gente louca - observou Alice.
- Tu não podes evitar isso, replicou o gato. - Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, tu és louca.
- Como sabes que eu sou louca? - indagou Alice.
- Deves ser - disse o gato - ou não estarias aqui.

Lewis Carroll, in Alice no País do Passos Coelho

sábado, 8 de fevereiro de 2014

"O buraco negro nas contas públicas portuguesas pode ser um portal para outro universo." - Stephen Hawking

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014


Escreve hoje um jornalista num famoso diário norte-americano que Portugal é o país mais corrupto da América do Sul. 
Creio que foi o parecer mais acertado, lúcido e relevante que li nos últimos quatro anos

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Merda! Sou português." - Álvaro de Campos

Vicissitudes de uma sociedade alienada


Não há muitos dias, um periódico alemão publicou uma sondagem indicando que 21% dos alemães com idades compreendidas entre os 18 e 29 anos não sabem que Auschwitz - esse terrífico pecado da humanidade- foi um campo de extermínio.  Não raro, estas  notícias são bastas vezes remetidas para os recônditos das páginas dos jornais e revistas, quando, precisamente,  deveriam surgir, em caracteres garrafais, berrantes e apelativos, nas manchetes dos mesmos. Resulta curioso ver como este significativíssimo quinhão de jovens ignora as atrocidades perpetradas, num passado não muito distante, pelos seus avoengos.
Quando me deparei com isto, de imediato me ocorreu uma reflexão  de George Santayana, que diz, e passo a citar: "aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo". Assertivas, convenientes, acertadas, as palavras do pensador americano.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014


D. Afonso Henriques, há pouco, aos microfones da TSF:

"Olhe-me para este país... Como isto está, meu Deus... Não imagina o quanto estou arrependido de ter assinado o Tratado de Zamora..."
"Sem a música de Marco Paulo, a vida seria um erro."

(Nietzsche, numa SMS a Wagner)

Última Hora|



A agência de notação moral Fitch baixou hoje o "rating" do Governo português, de BBBB- (lixo) para M+ (autêntica merda), sob vigilância negativa, no seguimento da redução, ontem, da notação de Cavaco Silva, para M² + (absolutíssima merda).

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Aviso à navegação

Vocês, os portugueses, não fazem a mínima ideia daquilo que ainda está para vir. O precipício é já ali à frente. Façam o favor de manter esta direcção. 

(GPS TomTom 950)
"Amigos, que grandessíssima merda nascer em Portugal!" 

António Nobre, in Este país é uma grandessíssima merda
Fónix... que porra de seca… – Deus, nas vésperas da criação do mundo (Génesis 1:1)
Aceitam euros? – Judas Escariotes, aos sacerdotes (Mateus 26:15)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

ÚLTIMA HORA


Cavaco Silva vai renunciar à nacionalidade portuguesa

O economista e político português , actualmente a viver em Portugal, está farto dos coices dados pelo Governo português e quer passar a ser apenas idiota.

(Errata: Onde se lê cipriota deve ler-se idiota)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Estudos...

Um estudo realizado por uma equipa internacional de geólogos acaba de revelar que o monte de merda que é o governo português é o ponto mais alto da Terra. De acordo com os cálculos e medições efectuados, esta elevação ultrapassa em mais de dois mil metros o Monte Evereste, formação que deteve o recorde durante 50 milhões de anos consecutivos. Com mil merdas! Eu fiquei obstupefacto com tanta merda. É realmente muita merda.

Relativamente à minha filiação partidária

E para que conste, eu não sou de esquerda, de direita, do centro, ou dos extremos. - Sou das inalcançáveis profundezas.

"Uma maçã suspensa numa macieira, vegetal lenhoso que a amamenta, poderá ser o mais sublime índice de que a próxima Primavera terá a adornar-lhe os cabelos um pequeníssimo gancho de folhas tenras, milagre que a natureza incubará no fermento da terra."

Gonçalo M. Tavares - Atlas do Corpo e do Diabo que Vos Leve.
Motivos de força maior, de ordem que não convém explicitar, obrigam-me a ter de desaparecer do mapa por uns tempos. Depois de muita reflexão, decidi que gostaria de rumar para as bandas de nenhures, um dos raros lugares onde poderei desfrutar de alguma tranquilidade. Todavia um problema impõe-se agora: onde poderei adquirir o respectivo visto? É que acabo de ser informado pelas autoridades locais que nessas lonjuras exigem o referido documento. Cada vez está mais difícil fugir do raio da realidade.
Presente em tudo, menos na comunhão, menina catequista. (Josef Stalin, 1885)

Do ópio


O futebol em Portugal consegue realmente alienar todos os cidadãos da realidade. E o governo sabe-o melhor do que ninguém. Perfeitamente cônscio disto, o regime aproveita-se do facto de todo o povo estar narcotizado pelo gratuito e gratificante ópio, há muito legalizado, para prosseguir com a ceifa. Enquanto fumam Eusébios e Cristianos Ronaldos, os portugueses esquecem que o governo retirou o complemento solidário aos idosos, está a desmoronar o SNS e o ensino público e a investigação estão à beira do colapso. Continuem com os beiços cravados na boquilha do cachimbo do futebol, continuem, que quando derem por ela estarão todos a aparar relva com os dentes nos estádios do inferno. 

Custódio Costa Combê ( Jornal Público, 14/01/2014)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Este ano, não faço anos, faço décadas: três e tal. Eis os primórdios da terceira idade. – Gonçalo M. Tavares (O Senhor Cantiflas)

Questão ligeiramente filatélica



Alguém sabe dizer-me onde posso adquirir o selo que o nosso primeiro-ministro há muito merece levar no trombil?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

De novo aquele felino

Se aquele chutador de bolas merece ir para o Panteão, esse sacro templo onde coabitam humanas relíquias da pátria, eu, não obstante os meus irrefreáveis diabolismos, mereço ir para o céu. – António Lobo Antunes (Oitavo Livro de Crónicas)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ainda Eusébio

O Papa Francisco garantiu que vai canonizar Eusébio. A NASA acaba de confirmar que vai dar o nome Eusébio a um exoplaneta recentemente descoberto. Um instituto de biologia molecular e celular australiano vai avançar com a clonagem de Eusébio. A Opel vai lançar em Setembro deste ano um veículo com o nome Eusébio. António Pinho Vargas vai compor uma ópera sobre os 733 golos de Eusébio. Moçambique vai mudar o nome da sua capital Maputo para Eusébio. A Prefeitura do Rio de Janeiro vai colocar no lugar do Cristo-Rei uma estátua de Eusébio. Um clube de Dubai pretende contratar Eusébio já para a próxima época. A SPORT TV vai abrir um canal totalmente dedicado a Eusébio (SPORT TV Eusébio HD). O Presidente da República Portuguesa pretende substituir o seu antropónimo Aníbal por Eusébio. A Dior vai lançar no Dia de Pentecostes a fragrância Eusébio. A próxima Exposição Universal, a realizar em Milão, em 2015, vai ter por tema “Eusébio, O Pantera Negra”. A Revista TIME elegeu Eusébio personalidade do ano de 2014. Lobo Antunes confirmou hoje à tarde que o seu próximo romance terá como título “O Arquipélago do Eusébio”. Prémio Nobel para Eusébio, Bola de Ouro para Eusébio, Óscar para Eusébio, Pulitzer para Eusébio, Prémio Camões para Eusébio, Prémio Pritzker para Eusébio, Palma de Ouro para Eusébio, Leão de Ouro para Eusébio. Eusébio isto, Eusébio aquilo, Eusébio aqui, Eusébio além, Eusébio não sei quê, Eusébio, Eusébio. Depois ainda há o camarão do Eusébio, selos com o Eusébio, as pastilhas para a tosse Eusébio, a cerveja Eusébio, o uísque Eusébio, as chuteiras Eusébio, as palmilhas Eusébio, as caneleiras Eusébio, as motosserras Eusébio, a Rua Eusébio, a Avenida Eusébio, a Ponte Eusébio, e mais Eusébio isto, e mais Eusébio aquilo. E por fim, no meio de tudo isto, e para acabar eusebiamente, o meu cão chama-se Eusébio. 

Última vitória do "Pantera Negra"


Saramago 2 - Eusébio 3

(Nota importante: a partida foi arbitrada por Cavaco Silva)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ai cu



Uma árvore a desfolhar-se,
Bandos de aves a rastejarem -
Portugal. 

Bashô

Postal de Feliz Ano Novo



Desejo a todos os nossos governantes um ano de 2014 repleto de dores de dentes, osteoporose, muitas enxaquecas, hepatites de A a Z, varíola, rubéola, sarampo, papeira, alergias a tudo, inclusive ao próprio ar, gonorreia, hematomas, contusões, varizes nas pernas, braços e cara, muitas fracturas ósseas e entorses, diarreia, muito colesterol, prisões de ventre, otites, miopia, pé-de-atleta nos pés, mas também na língua, eczemas nos olhos, herpes genital, ácido úrico, apendicites e gripes, cefaleias descomunais, fogosas azias, gastroenterites, hemorróidas, cãibras em todos os músculos, todas as infecções virais bacterianas e fúngicas, asma, bronquite, sinusite, rinite, aftas, ténias, lombrigas e um copioso cardápio de várias síndromes.
Facebook, vai levar no Google. - Aristóteles
Facebook, vai ver se chove no Twitter. - Eça de Queirós
Ah, Facebook, vai chatear a tua tia! - Álvaro de Campos (Ode Triunfal)

Vista panorâmica do Padrão dos Aniquiladores